quarta-feira, 26 de novembro de 2014

[ ... ... ]


(olho para esta página e ela é símbolo da tarefa com a qual venho lutando há meses. frases escritas e apagadas, temas abandonados e a sensação insistente de que não há nada a ser dito desta forma... há algo sem forma e que talvez não deseje ainda uma forma de se mostrar.)

Esse algo diz de pequenos momentos,

 momentos pequenos, 


momentos de um pequeno...


 De quando o Pedro senta na roda e pela primeira vez silencia para ouvir e por um instante mesmo que muito rápido olha nos olhos dos colegas, de quando a Lana sorri de olhos baixos gostando do boneco que fez, de quando vejo a expressão da Júlia se transformar porque ela fala de um monstro e eu me assusto e ela se empolga porque estamos fazendo de conta juntas, de quando a Kauany se desconcerta porque eu digo que sei que ela está mentindo e me devolve um olhar de desprezo, de quando a Ana quer amarrar os cadarços fazendo do jeito que ela não sabe, de quando o Pedro diz esquece isso e eu não consigo deixar pra lá o que aconteceu...


Tudo o que só é possível porque pequeno, singularidades que se encontram e olham nos olhos



Qualquer palavra, dita assim... Essas palavras inclusive. Correm o risco de transforma-lo em algo grande, algo excepcional, algo que será dito para muitos, que interessa a todos.
Quando a beleza desse algo é ser pequeno, ser vivido, é dizer somente de quem viveu e a quem viveu.


Esse algo sabe, de farejar com a ponta dos dedos, que dizer-se é algo externo a ele e que o importante se dá naquilo

que é feito


de dentro


 do íntimo das coisas.


Karina Nakahara - CEU Quinta do Sol



Ps.: diante desse algo que se recusa a se organizar, a tomar uma forma, algo que desconfia que será traído por toda forma que se oferece a ele, ao menos, estas formas estabelecidas (esse algo pede que se crie uma forma nova para ele)
diante desse algo, lembro de perguntas...
que ouvi e já não lembro exatamente de quem, exatamente quando...
perguntas que apareceram com a perplexidade do pequeno que olha para os grandes
 – por que revista? por que ensaio? aquele fórum não parecia nosso... e não era mesmo... qual o papel do estado nisso que quer contrariar toda a sua lógica? -
perguntas essenciais, porque chamam para a essência...
O que queremos mesmo fazer? Quem queremos?
lembro de alguém dizer que o nosso maior poder talvez seja a recusa. a recusa de tudo aquilo que não faz parte do que é importante em nosso fazer e esse alguém defendia que o importante era o encontro (que é feito de dentro e de perto e olhando nos olhos).
lembro de alguém, numa das primeiras reuniões do ano,

lembro de alguém

convocar o

]_silêncio_[
                                                                                                                                                                        

Nenhum comentário:

Postar um comentário