Como Coordenadora de Pesquisa Ação em 2015 pelo PIÁ Programa de Infância e Arte), muito me questionei a respeito de minhas funções, frente as equipes, equipamento e programa e o que seria fazer pesquisa ação.
Desde 2013 atuando no PIÁ, primeiramente como AE (artista educadora), depois como Coordenadora de Equipe em 2014, sinto a necessidade de encontrar informações sobre a arte, ações, relações, registros, pesquisas, percursos, trajetórias, norteamento e construção do programa, mas também das equipes e em alguns casos de artistas específicos. Porém nunca foi tarefa fácil e muitas vezes foi incompleta, pois o PIÁ, apesar de extensa produção, carece de registros e acervo de memória. Por me sentir incomodada e por querer transformar o incomodo em ação, e por ainda desempenhar a função de Coordenadora de Pesquisa Ação (onde acredito que uma das funções desse coordenador/a seja mapear, alterar e proporcionar reflexão com suas pesquisas e propostas) criei e desenvolvi um site:
https://territoriodopia.wordpress.com/
Clique! E navegue por todas suas páginas! Logo mais terá mais entrevistas e todos os Ensaios das equipes.
Sobre o Site Território do PIÁ:
O site Território do PIÁ foi criado e desenvolvido pela artista Renata Casemiro.
A idéia surgiu da necessidade de pesquisar e organizar conhecimentos
produzidos, ações e informações sobre as atividades do PIÁ no ano de
2015 das equipes no equipamentos (CFCCT e CEU Lajeado) em que ela
desempenha a função de Coordenadora de Pesquisa Ação.
Renata atua no PIÁ desde 2013, onde foi Artista Educadora no CFCCT e
em 2014 atuou como Coordenadora e Artista Educadora, também no CFCCT.
Também participou do Programa Vocacional com Artista Orientadora de
Dança de 2007 a 2010, pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.
Em 2015 é Coordenadora de Pesquisa Ação dentro programa no CEU Lajeado e CFCCT.
O site Território do PIÁ é seu projeto de Ensaio Pesquisa Ação.
Sobre as Informações contida no site Território do PIÁ:
As informações são provenientes de pesquisa em internet, livros,
documentos, material solicitado aos artistas, escritos e pensamentos da
própria autora do site, crianças e parceiros do programa.
A página Ações Artísticas e Culturais tem como objetivo mapear e documentar tais ações realizadas pelas equipes em 2015.
A página Equipe de Artistas foi criada a partir de
solicitação da autora do site aos artistas, individualmente cada artista
escreveu um currículo breve. As informações contidas são de total
responsabilidade dos mesmos.
A página Referências de Pesquisa foi criada com
solicitações a todos os artistas (educadores e coordenadores), com suas
referências usadas no ano de 2015, e construida com as informações
coletivas.
A página Entrevista, foi construida para dar
visibilidade aos pensamentos e conhecimentos de pessoas que estão
diretamente ligadas ao programa, inclusive alunos. As pessoas foram
convidadas pela autora do site, para realizarem a entrevista com temas
sobre a infância, arte, política, funções, poética e vida pela autora do
site.
A página Territórios foi construida com o intuito de
localizar e prestar informações sobre o território e situar os
equipamentos nos territórios em que Renata atuou como coordenadora em
2015, além de situar outros territórios e equipamentos no âmbito geral
da cidade de São Paulo.
A página MaPIÁmento Poético foi criada com as
respostas de duas perguntas feitas pela autora do site, aos artistas
educadores: sobre poética do encontro com a dupla e crianças e a
poética do quarteto, cada artista pode refletir e escrever sobre.
A página MaPIÁmento Estatístico foi criada com
informações de cada artista educador, sobre os piazitos participantes.
Após somado os dados foi tirada uma média.
A página Ensaios de Pesquisa Ação foi escrita com o
entendimento e pensamentos da autora do site, além de contar com os
Ensaios individuais de cada artista, que foram copiados do Blog Oficial
da Divisão de Formação.
Foto de Capa do site Território do PIÁ:
Fotografia das Bonecas Abayomi e crianças da turma de de 8 a 10 anos do PIÁ das artistas Bruna Amado e Glauce Medeiros.
Sobre as Bonecas Abayomi:
Para acalentar seus filhos durante as terríveis viagens a bordo dos
tumbeiros – navio de pequeno porte que realizava o transporte de
escravos entre África e Brasil – as mães africanas rasgavam retalhos de
suas saias e a partir deles criavam pequenas bonecas, feitas de tranças
ou nós, que serviam como amuleto de proteção. As bonecas, símbolo de
resistência, ficaram conhecidas como Abayomi, termo que significa
‘Encontro precioso’, em Iorubá, uma das maiores etnias do continente
africano cuja população habita parte da Nigéria, Benin, Togo e Costa do
Marfim. Sem costura alguma (apenas nós ou tranças), as bonecas não
possuem demarcação de olho, nariz nem boca, isso para favorecer o
reconhecimento das múltiplas etnias africanas.
Mostrando postagens com marcador CEU LAJEADO. Mostrar todas as postagens
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segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
SITE TERRITÓRIO DO PIÁ por Renata Casemiro
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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
A CASA. CEU e TERRA - por Frederico Dale
Textos de reflexão final de ciclo anual do programa PIÁ
Realizado no ano de 2015 no CEU Lageado – SP
Por: Frederico Nogueira Dale (artista educador PIÁ)
Abaixo dois textos que se complementam. O primeiro chama-se A Casa, sobre espaços púbicos e programas socioculturais no que tange à poética de espaços de pertencimento e apropriação pública.
O segundo texto chama-se CEU na Terra, e volta-se para uma reflexão sobre desafios e potencialidades dos centros educacionais unificados (CEUs), do município de São Paulo. Sempre na perspectiva da construção do território da criança e do jovem, no plano de politicas publicas do município de São Paulo e do programa PIÁ e sua missão.
A Casa : Ensaio poético sobre a potência de espaços afetivos de pertencimento
Por: Frederico Dale (artista educador PIÁ)
“Era uma casa muito engraçada, não tinha teto não tinha nada ....”. Acredito na
potência da construção de espaços lúdicos afetivos de pertencimento. O que é isso?!*
Primeiro o ventre materno, depois a nossa casa.... E quando chega a hora de sair para
o mundo... Talvez a melhor solução (seguindo opinião do * Yogue Yogananda)... Seja
conseguirmos estar sempre em casa, em cada lugar que estejamos... Por esse ângulo
tudo, o instante pode se tornar casa, o outro, nosso corpo e mente o afeto
compartilhado. Neste ano, ao iniciar os encontros com as crianças (programa PIÁ no
equipamento), notamos que a brincadeira de criar espaços “íntimos” (esconderijos,
casinhas e cantinhos especiais), era frequentemente acionada pelas crianças ( fax
etária de 05 a 10 anos). Notando esse fenômeno a equipe de AEs (arte educadores)
incentivou a brincadeira (jogo). Um dia levei uma barraca de acampamento e
acampamos na área externa reservada do equipamento. Outro dia as crianças criaram
uma casa de caixa de papelão e é claro tudo que uma casa de ficção-realidade pode ter
(portas, janelas, fogão, geladeira e até campainha), em um dos encontros (aulas), uma
grande mesa virou ótimo esconderijo, num outro erguemos um barraco de lona
improvisada, teve até área de serviço e quintal. Embora essas experiências fossem um
pouco inconscientes para as crianças, o resultado no comportamento delas foi
relevante... Até que em certo momento a brincadeira parou ali, mas reverberou lá,
talvez se expandindo para toda sala, saindo e tomando todos os espaços que nos
atraiam e que desvendávamos a cada aula aventura. O mezanino do segundo andar, O
barranco do jardim, a piscina, a quadra, os cantos, o teatro, frente e fundos. Ocupação
em 3D! O sentir-se parte, poder em certos momentos retornar a um “iglu- acolhedor”
lúdico-imaginário tem grande poder, na autoestima, confiança e sentimento de
pertencimento. As casas que construímos nunca eram totalmente individuais cabendo
de 1 a 12 pessoas e que quando juntas sobre o mesmo teto, seus moradores
partilhavam momentos de sociabilidade, de acolhimento, de acordos de organização,
mutirões (fazeres coletivos) e narração de estórias. Gaston Bachelard filosofo francês,
escreveu o livro, A Poética do Espaço, onde analisa o papel simbólico potente da Casa
e todo seu conteúdo inconsciente/consciente. Só nos sentindo efetivamente parte,
temos condições de uma fruição em arte e de interação genuína. Brincar de “casinha”
talvez não seja tão banal hein?! Uma boa instituição ou programa de formação
humana tem que ser Casa! Não é?
*Paramahansa Yogananda (5 de janeiro de 1893 a 7 de março de 1952), foi um iogue e
guru indiano. É considerado um dos maiores emissários da antiga filosofia da Índia
para o Ocidente. Através da Self-Realization Fellowship (SRF), a organização que
fundou ao chegar aos Estados Unidos, foi pioneiro ao promover a prática da meditação
por meio das lições que os estudantes recebiam em casa, pelo correio, para cumprir a
sua missão mundial de difundir as técnicas de Kriya Yoga. Paramahansa Yogananda
teve sua singular história de vida imortalizada no best-seller Autobiografia de um
Iogue.
Bibliografia:
A Poética do Espaço – Gaston Bachelard
Autobiografia de um Iogue - Paramahansa Yogananda
Canção A Casa – Vinicius de Morais
Homo Ludens – J. Huizinga
Filme- Awake - A Vida de Yogananda - Paola di Florio, Lisa Leeman
Frederico Dale – músico-arte educador-pesquisador e agente social.
Blog: http://fredale.tumblr.com/
CEU e TERRA (T´Ai ) ** – APONTAMENTOS TRANS- ARTÍSTICOS
Por Frederico Dale (artista-educador PIÁ)
(T´Ai) **- título inspirado em filosofia chinesa (I Ching)
*Obs semânticas: Usarei a palavra piás também com significado de crianças e jovens
(dicionário Aurelio)
Como arte-educador, tive a rica experiência de participar do programa PIÁ em 2015.
Através do programa de iniciação artística da prefeitura de São Paulo (PIÁ), comecei a
desenvolver processos de fruição artística com crianças e jovens de 05 a 14 anos no
CEU Lageado. Equipamento este, inaugurado em 2008. Alguns de seus construtores,
pedreiros e mestres de obra são da própria comunidade, soube esta informação por
relato de um “Piá”. Este Céu tem uma peculiaridade, ele está localizado dentro de um
bairro e não é fácil vê-lo de longe. O bairro fica no extremo leste da cidade de São
Paulo e sua principal via de acesso é o trem, mas também com acesso de ônibus e
carro. Atualmente a cidade de São Paulo conta com 45 equipamentos (CEUs), e há
muitas diferença e semelhanças entre eles. A instituição tem gestão compartilhada
divididas em equipes de Cultura, Educação e Esporte, além disso, o CEU conta com
uma CEI, EMEI e uma escola fundamental (EMF). Este CEU abriga também em situação
temporária o conselho tutelar do bairro e cede espaços para grupos organizados.
Nesse espaço complexo, comunidade (do bairro e proximidades), crianças, jovens,
idosos, famílias e alunos das escolas municipais do CEU, convivem e utilizam os
serviços oferecidos bem como aulas de ginastica, futebol, volei e hand boll, tai chi,
capoeira, xadrez, gincanas, shows, teatro, cinema, Pilates e outros. O CEU conta com
cinema-anfiteatro e piscina. O Bairro é carente de saneamento básico e calçadas.
Existem muitos córregos. É um bairro complexo e grande, com desníveis sociais, novos
brasileiros – imigrantes recentes (bolivianos e africanos em sua maioria), têm
escolhido o bairro por vários motivos (aluguel mais baixo e trem, principalmente). No
entorno do céu existem varias escolas estaduais e municipais, creches e CCA(s).
Somando-se aproximadamente mais de 30 instituições desse caráter. É um bairro com
muitas crianças e jovens que tem bastante liberdade de circulação pelo bairro e que
tem formações e contextos familiares distintos, pois o Lageado tem perfil de bairro-
satélite, há bastante idosos e o papel da Avó – Mãe é recorrente. O bairro e o próprio
local onde está localizado o CEU têm um histórico de violência, como assassinatos,
estrupros e “desova” de corpos. O Bairro hoje é bem diferente de 20 anos atrás.... O
passado vive em parte, na memória e no imaginário coletivo do bairro.
Com esta explanação, direciono a discussão para o território da criança e do
adolescente. Como educador, entro dentro deste espaço de formação humana munido
de uma equipe artística inter-linguagens para desenvolver processos lúdico-poéticos-
Escutas- sensibilizações- Arte e Ações sócias culturais. Durante o período de sete
meses (65 horas mensais) estive envolvido a mapear possibilidades pedagógicas,
compreender e ouvir instituição (CEU), o programa (PIÁ) e entorno (comunidade e os
piás). Fui tocado pela comunidade que ainda guarda pureza, alegria, força e carências.
Fui tocado pela instituição e seus funcionários: equipe feminina de limpeza,
manutenção, Seguranças Patrimoniais, Jardineiro, equipe do demandado guichê de
informações, bibliotecárias, Salvo- vidas, professores -esporte, equipe técnica teatro,
professoras EMEIs EMEFs, Coordenações e Gestão. Fui provocado a refletir sobre meu
papel de agente social-artista na equipe-programa PIÁ em contraponto com a
realidade em que pude experimentar, perceber, ser afetado e provocado a criar
diagnósticos, buscando construir alguma coisa com meus pares. Sinto que o programa
Piá tem importante contribuição no que tange a implantação de novos paradigmas na
“educação”, buscando assegurar e refletir sobre a necessidade de territórios da
criança-adolescente na urbe contemporânea como política pública, uma luta tem inicio
com Mario de Andrade, responsável pela criação de parques infantis na cidade de São
Paulo em 1935, ocasião em que ocupou o cargo de chefe do Departamento de Cultura
da prefeitura da capital paulista, sementes que germinaram no PIÁ. Propondo
currículo mais aberto, incentivando postura de descoberta, provocando arejamento
de modelos, em prol de postura criativa, tendo o “professor” como incentivador,
facilitador e com o papel da presença que cuida e emancipa, no papel nevrálgico da “
qualidade de Escutas, não apenas verbal. Criando a possibilidades para um espaço de
convivência rico em diversidade, trocas, uma comunidade de aprendizes e de ações
que transbordam a palavra educação no que toca o já acabado, um lugar definido e
único de chegada e com o preço de muita exclusão onde o “Rei-Sol” é o professor. Um
bom PIÁ pode gerar movimento, mudanças, metamorfoses, trazer pó de “pilim
pimpim” de poesia no cotidiano re-visitado e múltiplas experiências ricas de significado
autêntico.
Senti que há uma grande potência humana e criativa no bairro, muita energia,
muita criança e jovens explodindo em vida. Senti o papel importante que o CEU ou (s)
representa para o bairro. Ouvi criticas sentimento de não pertencimento por parte da
comunidade e muita gente interagindo em diversas camadas de pertencimento e
entendimento no espaço público... O CEU pode se tornar cada vez mais, um espaço de
formação humana integral e convivência, falar diretamente ao publico que está ali.
Propor reflexões, facilitar um jogo democrático saudável onde o novo cidadão também
ajuda na tomada de decisões criando outra engrenagem que não o paternalismo
estatal que os brasileiros já estão acostumados. Articular, propor diálogos, Escutas e
trocas em rede, com sociedade e instituições. A arquitetura do CEU também pode ser
re-pensada, menos espaços fechados de concreto, para se tornar mais verde, mais
praça de convivência, mais espaços lúdicos, mais Ágora (espaço de convivência
humana que fomente diálogos e apontamentos de reflexão e ações que transbordem
para os territórios sociais –políticos e culturais-artísticos). Seguindo a tradição de
arquitetura de pesquisa como do Arquiteto Diógenes Rebouças (Escola Parque) que
está no DNA dos Centros Educacionais Unificados. O CEU é uma grande e importante
conquista da Sociedade, mas não deve engessar-se, mais criatividade, receptividade e
interatividade... As crianças, jovens e terceira idade estão vivíssimos, a ponto de bala!
A formação humana passa por novos desafios no contemporâneo. Os adultos que
trabalham e se dedicam ao território da formação humana, tem missão indigesta de se
des–endurecer, re-aprender, duvidar, estudar, fortalecer cidadãos e fazer junto com a
sociedade! Formação direcionada e estimulada para quem trabalha em CEU. Sinto que
a comunidade artística ao se reinventar como agente sócio-artístico-cultural pode ser
de grande valia e potência. Minha intuição é de que os CEUs tem vocação para ser
diferente das escolas tradicionais, constituir vanguarda, contribuindo como grande
aliado de processos profundos de desenvolvimento humano e social num mundo
modificado, cheio de novos desafios. A criação de uma rede de informações
interligadas também será muito útil. Enfim, reflexões e apontamentos que pretendem
apenas abrir diálogos... Falar do CEU não é tarefa fácil!
Glossário:
* CEUs (centros educacionais unificados )- criados pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo e localizados nas áreas periféricas da Grande São Paulo. O projeto dos Centros Educacionais Unificados começou a ser estruturado pela Prefeitura de São Paulo como um projeto intersecretarial, em 2001, a partir das consultas populares por meio do orçamento participativo.
PIÁ – Programa de iniciação artística (prefeitura SP)
** Do I Ching (livro das mutações)
T´Ai (harmonia-paz) - O hexagrama indica uma época em que o céu parece estar na
Acima: K'UN, O RECEPTIVO, TERRA.
Abaixo: CH'IEN, O CRIATIVO, CEU.
Lajeado é um distrito de São Paulo situado na zona leste da cidade. Com o distrito de
Guaianases forma a Subprefeitura de Guaianases e abrange os bairros de Conjunto da
Paz, Jardim Augusta, Jardim Aurora, Jardim Brigida, Jardim Campos, Jardim do Campo,
Jardim Dona Deolinda, Jardim Etelvina, Jardim Fanganiello, Jardim Gianetti, Jardim
Guaianases, Jardim Moreno, Jardim Nova Guaianases, Jardim São Paulo, Jardim
Ubirajara, Lajeado, Núcleo Lajeado, Parque Guaianases, Vila Andes, Vila Chabilândia,
Vila Fukuya, Vila Iolanda, Vila Lourdes, Vila Minerva e Vila Nancy.A criação do distrito
de Lajeado se deve a criação do distrito de Itaquera, em 27 de dezembro de 1920,
desmembrando-se do distrito de São Miguel Paulista, o Lajeado passou a fazer parte
deste distrito. Não era essa a vontade da populacão local, se o bairro vizinho conseguiu
a autonomia administrativa, Lajeado pleiteava também essa condição, e em 30 de
dezembro de 1929, foi criado o distrito do Lajeado. A partir desta data, se comemora o
aniversário de Lajeado.
Bibliografia:
- Paidéia: a formação de homem grego – Werner Jeager
- O que é ação cultural – Teixeira Coelho
- O HUMANO COMO OBJETIVO DA EDUCAÇÃO MUSICAL: O
PENSAMENTOPEDAGÓGICO-MUSICAL DE HANS JOACHIM KOELLREUTTER - Teca
Alencar de Brito
- O livro das mutações – I -Ching
Frederico Dale – músico-arte educador-pesquisador e agente social.
Blog: http://fredale.tumblr.com/
Realizado no ano de 2015 no CEU Lageado – SP
Por: Frederico Nogueira Dale (artista educador PIÁ)
Abaixo dois textos que se complementam. O primeiro chama-se A Casa, sobre espaços púbicos e programas socioculturais no que tange à poética de espaços de pertencimento e apropriação pública.
O segundo texto chama-se CEU na Terra, e volta-se para uma reflexão sobre desafios e potencialidades dos centros educacionais unificados (CEUs), do município de São Paulo. Sempre na perspectiva da construção do território da criança e do jovem, no plano de politicas publicas do município de São Paulo e do programa PIÁ e sua missão.
A Casa : Ensaio poético sobre a potência de espaços afetivos de pertencimento
Por: Frederico Dale (artista educador PIÁ)
“Era uma casa muito engraçada, não tinha teto não tinha nada ....”. Acredito na
potência da construção de espaços lúdicos afetivos de pertencimento. O que é isso?!*
Primeiro o ventre materno, depois a nossa casa.... E quando chega a hora de sair para
o mundo... Talvez a melhor solução (seguindo opinião do * Yogue Yogananda)... Seja
conseguirmos estar sempre em casa, em cada lugar que estejamos... Por esse ângulo
tudo, o instante pode se tornar casa, o outro, nosso corpo e mente o afeto
compartilhado. Neste ano, ao iniciar os encontros com as crianças (programa PIÁ no
equipamento), notamos que a brincadeira de criar espaços “íntimos” (esconderijos,
casinhas e cantinhos especiais), era frequentemente acionada pelas crianças ( fax
etária de 05 a 10 anos). Notando esse fenômeno a equipe de AEs (arte educadores)
incentivou a brincadeira (jogo). Um dia levei uma barraca de acampamento e
acampamos na área externa reservada do equipamento. Outro dia as crianças criaram
uma casa de caixa de papelão e é claro tudo que uma casa de ficção-realidade pode ter
(portas, janelas, fogão, geladeira e até campainha), em um dos encontros (aulas), uma
grande mesa virou ótimo esconderijo, num outro erguemos um barraco de lona
improvisada, teve até área de serviço e quintal. Embora essas experiências fossem um
pouco inconscientes para as crianças, o resultado no comportamento delas foi
relevante... Até que em certo momento a brincadeira parou ali, mas reverberou lá,
talvez se expandindo para toda sala, saindo e tomando todos os espaços que nos
atraiam e que desvendávamos a cada aula aventura. O mezanino do segundo andar, O
barranco do jardim, a piscina, a quadra, os cantos, o teatro, frente e fundos. Ocupação
em 3D! O sentir-se parte, poder em certos momentos retornar a um “iglu- acolhedor”
lúdico-imaginário tem grande poder, na autoestima, confiança e sentimento de
pertencimento. As casas que construímos nunca eram totalmente individuais cabendo
de 1 a 12 pessoas e que quando juntas sobre o mesmo teto, seus moradores
partilhavam momentos de sociabilidade, de acolhimento, de acordos de organização,
mutirões (fazeres coletivos) e narração de estórias. Gaston Bachelard filosofo francês,
escreveu o livro, A Poética do Espaço, onde analisa o papel simbólico potente da Casa
e todo seu conteúdo inconsciente/consciente. Só nos sentindo efetivamente parte,
temos condições de uma fruição em arte e de interação genuína. Brincar de “casinha”
talvez não seja tão banal hein?! Uma boa instituição ou programa de formação
humana tem que ser Casa! Não é?
*Paramahansa Yogananda (5 de janeiro de 1893 a 7 de março de 1952), foi um iogue e
guru indiano. É considerado um dos maiores emissários da antiga filosofia da Índia
para o Ocidente. Através da Self-Realization Fellowship (SRF), a organização que
fundou ao chegar aos Estados Unidos, foi pioneiro ao promover a prática da meditação
por meio das lições que os estudantes recebiam em casa, pelo correio, para cumprir a
sua missão mundial de difundir as técnicas de Kriya Yoga. Paramahansa Yogananda
teve sua singular história de vida imortalizada no best-seller Autobiografia de um
Iogue.
Bibliografia:
A Poética do Espaço – Gaston Bachelard
Autobiografia de um Iogue - Paramahansa Yogananda
Canção A Casa – Vinicius de Morais
Homo Ludens – J. Huizinga
Filme- Awake - A Vida de Yogananda - Paola di Florio, Lisa Leeman
Frederico Dale – músico-arte educador-pesquisador e agente social.
Blog: http://fredale.tumblr.com/
CEU e TERRA (T´Ai ) ** – APONTAMENTOS TRANS- ARTÍSTICOS
Por Frederico Dale (artista-educador PIÁ)
(T´Ai) **- título inspirado em filosofia chinesa (I Ching)
*Obs semânticas: Usarei a palavra piás também com significado de crianças e jovens
(dicionário Aurelio)
Como arte-educador, tive a rica experiência de participar do programa PIÁ em 2015.
Através do programa de iniciação artística da prefeitura de São Paulo (PIÁ), comecei a
desenvolver processos de fruição artística com crianças e jovens de 05 a 14 anos no
CEU Lageado. Equipamento este, inaugurado em 2008. Alguns de seus construtores,
pedreiros e mestres de obra são da própria comunidade, soube esta informação por
relato de um “Piá”. Este Céu tem uma peculiaridade, ele está localizado dentro de um
bairro e não é fácil vê-lo de longe. O bairro fica no extremo leste da cidade de São
Paulo e sua principal via de acesso é o trem, mas também com acesso de ônibus e
carro. Atualmente a cidade de São Paulo conta com 45 equipamentos (CEUs), e há
muitas diferença e semelhanças entre eles. A instituição tem gestão compartilhada
divididas em equipes de Cultura, Educação e Esporte, além disso, o CEU conta com
uma CEI, EMEI e uma escola fundamental (EMF). Este CEU abriga também em situação
temporária o conselho tutelar do bairro e cede espaços para grupos organizados.
Nesse espaço complexo, comunidade (do bairro e proximidades), crianças, jovens,
idosos, famílias e alunos das escolas municipais do CEU, convivem e utilizam os
serviços oferecidos bem como aulas de ginastica, futebol, volei e hand boll, tai chi,
capoeira, xadrez, gincanas, shows, teatro, cinema, Pilates e outros. O CEU conta com
cinema-anfiteatro e piscina. O Bairro é carente de saneamento básico e calçadas.
Existem muitos córregos. É um bairro complexo e grande, com desníveis sociais, novos
brasileiros – imigrantes recentes (bolivianos e africanos em sua maioria), têm
escolhido o bairro por vários motivos (aluguel mais baixo e trem, principalmente). No
entorno do céu existem varias escolas estaduais e municipais, creches e CCA(s).
Somando-se aproximadamente mais de 30 instituições desse caráter. É um bairro com
muitas crianças e jovens que tem bastante liberdade de circulação pelo bairro e que
tem formações e contextos familiares distintos, pois o Lageado tem perfil de bairro-
satélite, há bastante idosos e o papel da Avó – Mãe é recorrente. O bairro e o próprio
local onde está localizado o CEU têm um histórico de violência, como assassinatos,
estrupros e “desova” de corpos. O Bairro hoje é bem diferente de 20 anos atrás.... O
passado vive em parte, na memória e no imaginário coletivo do bairro.
Com esta explanação, direciono a discussão para o território da criança e do
adolescente. Como educador, entro dentro deste espaço de formação humana munido
de uma equipe artística inter-linguagens para desenvolver processos lúdico-poéticos-
Escutas- sensibilizações- Arte e Ações sócias culturais. Durante o período de sete
meses (65 horas mensais) estive envolvido a mapear possibilidades pedagógicas,
compreender e ouvir instituição (CEU), o programa (PIÁ) e entorno (comunidade e os
piás). Fui tocado pela comunidade que ainda guarda pureza, alegria, força e carências.
Fui tocado pela instituição e seus funcionários: equipe feminina de limpeza,
manutenção, Seguranças Patrimoniais, Jardineiro, equipe do demandado guichê de
informações, bibliotecárias, Salvo- vidas, professores -esporte, equipe técnica teatro,
professoras EMEIs EMEFs, Coordenações e Gestão. Fui provocado a refletir sobre meu
papel de agente social-artista na equipe-programa PIÁ em contraponto com a
realidade em que pude experimentar, perceber, ser afetado e provocado a criar
diagnósticos, buscando construir alguma coisa com meus pares. Sinto que o programa
Piá tem importante contribuição no que tange a implantação de novos paradigmas na
“educação”, buscando assegurar e refletir sobre a necessidade de territórios da
criança-adolescente na urbe contemporânea como política pública, uma luta tem inicio
com Mario de Andrade, responsável pela criação de parques infantis na cidade de São
Paulo em 1935, ocasião em que ocupou o cargo de chefe do Departamento de Cultura
da prefeitura da capital paulista, sementes que germinaram no PIÁ. Propondo
currículo mais aberto, incentivando postura de descoberta, provocando arejamento
de modelos, em prol de postura criativa, tendo o “professor” como incentivador,
facilitador e com o papel da presença que cuida e emancipa, no papel nevrálgico da “
qualidade de Escutas, não apenas verbal. Criando a possibilidades para um espaço de
convivência rico em diversidade, trocas, uma comunidade de aprendizes e de ações
que transbordam a palavra educação no que toca o já acabado, um lugar definido e
único de chegada e com o preço de muita exclusão onde o “Rei-Sol” é o professor. Um
bom PIÁ pode gerar movimento, mudanças, metamorfoses, trazer pó de “pilim
pimpim” de poesia no cotidiano re-visitado e múltiplas experiências ricas de significado
autêntico.
Senti que há uma grande potência humana e criativa no bairro, muita energia,
muita criança e jovens explodindo em vida. Senti o papel importante que o CEU ou (s)
representa para o bairro. Ouvi criticas sentimento de não pertencimento por parte da
comunidade e muita gente interagindo em diversas camadas de pertencimento e
entendimento no espaço público... O CEU pode se tornar cada vez mais, um espaço de
formação humana integral e convivência, falar diretamente ao publico que está ali.
Propor reflexões, facilitar um jogo democrático saudável onde o novo cidadão também
ajuda na tomada de decisões criando outra engrenagem que não o paternalismo
estatal que os brasileiros já estão acostumados. Articular, propor diálogos, Escutas e
trocas em rede, com sociedade e instituições. A arquitetura do CEU também pode ser
re-pensada, menos espaços fechados de concreto, para se tornar mais verde, mais
praça de convivência, mais espaços lúdicos, mais Ágora (espaço de convivência
humana que fomente diálogos e apontamentos de reflexão e ações que transbordem
para os territórios sociais –políticos e culturais-artísticos). Seguindo a tradição de
arquitetura de pesquisa como do Arquiteto Diógenes Rebouças (Escola Parque) que
está no DNA dos Centros Educacionais Unificados. O CEU é uma grande e importante
conquista da Sociedade, mas não deve engessar-se, mais criatividade, receptividade e
interatividade... As crianças, jovens e terceira idade estão vivíssimos, a ponto de bala!
A formação humana passa por novos desafios no contemporâneo. Os adultos que
trabalham e se dedicam ao território da formação humana, tem missão indigesta de se
des–endurecer, re-aprender, duvidar, estudar, fortalecer cidadãos e fazer junto com a
sociedade! Formação direcionada e estimulada para quem trabalha em CEU. Sinto que
a comunidade artística ao se reinventar como agente sócio-artístico-cultural pode ser
de grande valia e potência. Minha intuição é de que os CEUs tem vocação para ser
diferente das escolas tradicionais, constituir vanguarda, contribuindo como grande
aliado de processos profundos de desenvolvimento humano e social num mundo
modificado, cheio de novos desafios. A criação de uma rede de informações
interligadas também será muito útil. Enfim, reflexões e apontamentos que pretendem
apenas abrir diálogos... Falar do CEU não é tarefa fácil!
Glossário:
* CEUs (centros educacionais unificados )- criados pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo e localizados nas áreas periféricas da Grande São Paulo. O projeto dos Centros Educacionais Unificados começou a ser estruturado pela Prefeitura de São Paulo como um projeto intersecretarial, em 2001, a partir das consultas populares por meio do orçamento participativo.
PIÁ – Programa de iniciação artística (prefeitura SP)
** Do I Ching (livro das mutações)
T´Ai (harmonia-paz) - O hexagrama indica uma época em que o céu parece estar na
Acima: K'UN, O RECEPTIVO, TERRA.
Abaixo: CH'IEN, O CRIATIVO, CEU.
Lajeado é um distrito de São Paulo situado na zona leste da cidade. Com o distrito de
Guaianases forma a Subprefeitura de Guaianases e abrange os bairros de Conjunto da
Paz, Jardim Augusta, Jardim Aurora, Jardim Brigida, Jardim Campos, Jardim do Campo,
Jardim Dona Deolinda, Jardim Etelvina, Jardim Fanganiello, Jardim Gianetti, Jardim
Guaianases, Jardim Moreno, Jardim Nova Guaianases, Jardim São Paulo, Jardim
Ubirajara, Lajeado, Núcleo Lajeado, Parque Guaianases, Vila Andes, Vila Chabilândia,
Vila Fukuya, Vila Iolanda, Vila Lourdes, Vila Minerva e Vila Nancy.A criação do distrito
de Lajeado se deve a criação do distrito de Itaquera, em 27 de dezembro de 1920,
desmembrando-se do distrito de São Miguel Paulista, o Lajeado passou a fazer parte
deste distrito. Não era essa a vontade da populacão local, se o bairro vizinho conseguiu
a autonomia administrativa, Lajeado pleiteava também essa condição, e em 30 de
dezembro de 1929, foi criado o distrito do Lajeado. A partir desta data, se comemora o
aniversário de Lajeado.
Bibliografia:
- Paidéia: a formação de homem grego – Werner Jeager
- O que é ação cultural – Teixeira Coelho
- O HUMANO COMO OBJETIVO DA EDUCAÇÃO MUSICAL: O
PENSAMENTOPEDAGÓGICO-MUSICAL DE HANS JOACHIM KOELLREUTTER - Teca
Alencar de Brito
- O livro das mutações – I -Ching
Frederico Dale – músico-arte educador-pesquisador e agente social.
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