quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Criança. O que pensa? O que sente ? Como se comunica?




ARTE EDUCADORA: SELMA  DE AGUIAR

ARTES VISUAIS

BIBLIOTECA MARCOS REY

Novembro de 2014



Criança: o que pensa? O que sente ? como se comunica?

Se num  passado recente   havia  um anseio de pais e  educadores para habilidades específicas em relação à criança, inclusive a criança pequena,  hoje existe um olhar para a criança em sua estrutura  básica  e  necessidades essenciais.

A criança, principalmente a pequena,   vive na sua corporalidade.

É através de seu corpo e seus sentidos que   experencia  o mundo e é da qualidade dessas experiências que depende parte importante de seu desenvolvimento.

A “ inteligência corporal” fruto  de um experenciar constante com o corpo aumenta e diversifica sinapses cerebrais, desenvolve a psicomotricidade, noção espacial, e traz competência ao corpo para se relacionar de diferentes formas com o mundo que cerca.

Quando pensamos em inteligência corporal podemos lembrar-nos de um esportista que  supera recordes, mas ideia aqui é bem diferente.

A primeira   tarefa  da criança é sentir seu próprio corpo e isso inclui  da ponta do  nariz aos dedos dos pés. Isso corresponde dizer que todas as áreas do corpo devem em algum momento entrar no campo de percepção da criança e ser experenciado  para  depois ser  assimilado pelo cérebro e constar como um repertório pessoal. Existem muitas áreas do cérebro a serem ativadas bem como existem diversas formas da criança  se expressar  com o mundo e perceber-se.

Bons repertórios representam  a possibilidade de uma maior exploração dos movimentos, adequação dos gestos,   possibilidades de expressão e de  reconhecer-se a si mesmo. Se uma forma de fazer  não é tão boa existem  30 outras para chegar ao resultado esperado.

Educadores são parceiros no desenvolvimento. Alguns  colocam pedrinhas numa bacia de agua e a criança  “pesca” com os dedinhos dos pés.

Se a agua é quente a sensação é uma  e se é fria  a experiência se transforma.

As brincadeiras com terra se diferenciam das brincadeiras na água  ou com o ar e o fogo.

Se for dia, se é noite, se é verão se é inverno.

Correr   ao vento pode trazer sensações bem  significativas para o corpo.

Das experiências consecutivas com o corpo a criança começa a mapear-se e  conhecer-se.

Brincar , brincar e  brincar.

Quanto mais presente em suas experiências  e quanto mais essas forem adequadas, mais seu corpo  ganhará competências e mais a criança  se apoderará do corpo em plena consciência.

Esse apoderamento significa que  seu corpo se expressa a partir  de sua vontade e a vontade  é inerente a individualidade da criança.

Uma criança que não desenvolveu sua corporalidade não se expressa corporalmente da mesma forma de outra  que desenvolveu.

O corpo é uma potencia cognitiva.

Temos na corporalidade e na vontade elementos essenciais para se falar de uma criança, mas  se não  unirmos a esses dois primeiros  um terceiro elemento ficará difícil compreender o ser da criança: a  criança é um ser imaginativo.

Pode-se argumentar que muitos adultos o são, mas mesmo assim  a imaginação  ocorre com muitos diferenciais na criança.

Se a imaginação  é mais ligada ao pensar  no adulto, na criança o é na sua corporalidade e na sua vontade.

Um adulto só consegue brincar se  migra de seu denso mundo pensante para  sua corporalidade e não raro tem um insight  de sua infância.

Se unirmos a corporalidade com a vontade e a imaginação temos a base da vida infantil.

Então toda a educação infantil deve considerar esses elementos e todo educador infantil deve saber migrar para sua própria corporalidade e expressar sua vontade de forma imaginativa/ criativa  para realmente interagir  com o ser da criança.

Alguns autores  ( Luiza lameirão,  Bernard Lievgoud , Christopher Clouder, etc) ponderam  que o pensar na criança é diferente do pensar do adulto embora  a criança não esteja em condição inferior por causa disso.

Somente  a partir dos 12 anos uma criança  desenvolve um pensar próprio causal( causa e efeito) que bem depois desemboca no pensar abstrato comum aos adultos.

Esses autores chamam o pensar característico da criança de pré racional ou simplesmente pensar imaginativo.

Muito mais ligado ao sentir  o pensar imaginativo se liga mais as vivencias que a razão.

Quando um adulto  recorda a infância em insights significativos   sua alma é invadida por cheiros  sensações e imagens e não existe nenhum distanciamento das experiências e estas ressoam por todo o ser. Artistas referem essa “experiência” em momentos performáticos.

Uma criança pode ter desinteresse e dificuldade em ouvir uma leitura breve e de fácil compreensão   sobre um tema  recheado de argumentos e razão. Porém  sua alma não tem dificuldade nenhuma em  se ligar e ouvir atentamente  por longo tempo (  dias seguidos  )  um conto de fadas ou contos da carochinha complexo e  repleto de personagens e  situações diversas,  inclusive com palavras desconhecidas.

A linguagem imaginativa dos contos bem como de muitos educadores que desenvolvem “intuitivamente” essa linguagem atua diretamente no ser da criança e promove a cognição desenvolvendo o pensar  de forma harmoniosa e prazerosa. Essa linguagem “fala” ao corpo, ao sentimento, a vontade e por isso é adequada à criança.

 Na história da  metodologia educacional  os currículos foram determinados  para se atingir um fim e considerar a criança  pelo que deverá  produzir futuramente. O  jardim da infância  tenta se aproximar do primeiro ano  e emancipar a criança recheando seu currículo com  figuras  que dependem da  abstração do pensar.

Hoje é muito necessário atualizar  e aprofundar os saberes para que se possa  testemunhar  as incoerências na educação - o essencial não é considerado - e fortalecer uma  pedagogia que respeita o tempo que as crianças  necessitam para amadurecer, que valoriza cada etapa e que favorece  um desabrochar integral.

Essa é uma educação que respeita  a essência humana e promove a individuação porque  cada ser humano é único e seu desenvolvimento deve proporcionar-lhe autonomia e liberdade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

[ ... ... ]


(olho para esta página e ela é símbolo da tarefa com a qual venho lutando há meses. frases escritas e apagadas, temas abandonados e a sensação insistente de que não há nada a ser dito desta forma... há algo sem forma e que talvez não deseje ainda uma forma de se mostrar.)

Esse algo diz de pequenos momentos,

 momentos pequenos, 


momentos de um pequeno...


 De quando o Pedro senta na roda e pela primeira vez silencia para ouvir e por um instante mesmo que muito rápido olha nos olhos dos colegas, de quando a Lana sorri de olhos baixos gostando do boneco que fez, de quando vejo a expressão da Júlia se transformar porque ela fala de um monstro e eu me assusto e ela se empolga porque estamos fazendo de conta juntas, de quando a Kauany se desconcerta porque eu digo que sei que ela está mentindo e me devolve um olhar de desprezo, de quando a Ana quer amarrar os cadarços fazendo do jeito que ela não sabe, de quando o Pedro diz esquece isso e eu não consigo deixar pra lá o que aconteceu...


Tudo o que só é possível porque pequeno, singularidades que se encontram e olham nos olhos



Qualquer palavra, dita assim... Essas palavras inclusive. Correm o risco de transforma-lo em algo grande, algo excepcional, algo que será dito para muitos, que interessa a todos.
Quando a beleza desse algo é ser pequeno, ser vivido, é dizer somente de quem viveu e a quem viveu.


Esse algo sabe, de farejar com a ponta dos dedos, que dizer-se é algo externo a ele e que o importante se dá naquilo

que é feito


de dentro


 do íntimo das coisas.


Karina Nakahara - CEU Quinta do Sol



Ps.: diante desse algo que se recusa a se organizar, a tomar uma forma, algo que desconfia que será traído por toda forma que se oferece a ele, ao menos, estas formas estabelecidas (esse algo pede que se crie uma forma nova para ele)
diante desse algo, lembro de perguntas...
que ouvi e já não lembro exatamente de quem, exatamente quando...
perguntas que apareceram com a perplexidade do pequeno que olha para os grandes
 – por que revista? por que ensaio? aquele fórum não parecia nosso... e não era mesmo... qual o papel do estado nisso que quer contrariar toda a sua lógica? -
perguntas essenciais, porque chamam para a essência...
O que queremos mesmo fazer? Quem queremos?
lembro de alguém dizer que o nosso maior poder talvez seja a recusa. a recusa de tudo aquilo que não faz parte do que é importante em nosso fazer e esse alguém defendia que o importante era o encontro (que é feito de dentro e de perto e olhando nos olhos).
lembro de alguém, numa das primeiras reuniões do ano,

lembro de alguém

convocar o

]_silêncio_[
                                                                                                                                                                        

terça-feira, 25 de novembro de 2014

As terças-feiras à tarde de 2014

As terças-feiras à tarde de 2014
Carla Casado
A.E. Coordenadora do CEU Jardim Paulistano

            Como já sugere o título, este ensaio de pesquisa-ação teve o foco num dia da semana, o dia em que o encontro era com uma das turmas do PIÁ com idade de 08 a 10 anos. Considerando que a pesquisa inicia-se com o levantamento de questões a partir das práticas alinhadas aos princípios norteadores do programa, foi com essas crianças que surgiram muitas questões sobre a relação da vivência com os tais princípios.
            O primeiro desafio foi da percepção sobre a importância do coletivo, isso porque as crianças não conseguiam realizar ações em grupo, inclusive as brincadeiras. Nas ações, cada uma dava uma ideia e queria que ela prevalecesse e não abriam mão e em outras propostas ficavam igualmente brigando ao invés de embarcar na experimentação.
            A autora Marina Marcondes Machado, aborda a criança como performer e nesse sentido de poder ler o desejo de um sorvete, uma crise de birra, uma sonolência no ônibus como atos performativos. No convívio com as crianças, as brigas, como encará-las?
            Entre alguns fatos que ocorreram, estão de um soco na cara do outro, o ataque ao pescoço que provocou vermelhidão e arranhões por conta de uma cadeira dentro de uma cena ao contar uma história, entre outros.
            Os desentendimentos nessa turma eram tão grandes que tudo que se iniciava se rompia por uma briga. Por uma necessidade, tivemos que instituir a roda de conversa, porque em outros momentos do encontro, percebemos que era inviável a conversa acontecer. A roda não foi um momento da artista educadora dar “lição de moral”, mas questionar, ouvir o que tinham a dizer sobre o que ocorria, o que pensavam disso, seus motivos. E assim, refletimos e construímos regras coletivamente, mas que alguns desrespeitavam por não saberem lidar com um combinado onde não havia punição.
            A insistência do diálogo, um dos princípios no PIÁ, esteve presente, nos combinados e para a relação entre as crianças e as artistas educadoras acontecerem. O diálogo no programa significa a escuta e a inter-relação entre pessoas, ideias, e linguagens artísticas.
            Um outro princípio é o processo criativo que significa valorizar os acontecimentos criativos como parte de um processo dinâmico e em constante movimento, a partir de um espaço-tempo de sensibilidade e acolhimento. Como instaurar processos criativos num ambiente sem acolhimento do outro, já mencionando um outro princípio que é o de perceber os ritmos, estados e pulsações de cada encontro no que diz respeito à alteridade e aos espaços-tempos instaurados.
            O desafio constante foi de instaurar estados e pulsações diferentes nos encontros, já que a pulsação que traziam não apontavam para construção. As relações que demonstravam era de preconceito, de violência verbal e física constante, negação da ideia do outro, entre outras. Foi necessário tentar construir outras referências de relação, era preciso embarcar na “ideia do outro” para que depois o outro embarcasse na “minha ideia” e com o tempo não valorizar tanto de quem é a ideia inicial, mas o que todos poderiam fazer a partir dessa ideia. Era preciso perceber que sem isso, nada se concretizaria, não aconteceria nenhuma brincadeira a não ser as solitárias e não estavam sozinhos. A grande experimentação dessa turma foi a de se relacionar com o outro e nesse sentido, muitas vezes, o nosso principal papel foi de mediação de conflitos.
            Quando Marina Marcondes trata sobre a criança performer, cita o Dicionário Teatro organizado por Patrice Pavis (1999), na qual aparece o performer como aquele que realiza uma encenação de seu próprio eu.
            E assim elas foram performes de si e nesse contexto, a autora ainda ressalta o pensar as crianças a partir de si próprias. Cita Sarmento ao abordar “criança sociológica” que significa pensar as crianças como seres sociais que integram um grupo social distinto.
            Além de pensar as crianças como um grupo, cada turma demonstrou as diferenças entre elas. Assim, a palavra social ressaltou em meus questionamentos, não no sentido de elaborar atividades com temas sociais, mas de ouvir o que expressavam em suas atitudes, no corpo, nas necessidades, além de suas falas.
            A arte tem a ver com isso? Quem faz a arte? Considerando que quem faz são seres humanos culturalmente sociais, não nos construímos sozinhos.
            Em um dos objetivos do PIÁ divulgado no site da Prefeitura de São Paulo, consta promover uma aprendizagem baseada no fazer artístico, na criatividade e expressividade, no conhecimento histórico, no senso crítico e estético, no respeito pelas diferenças e pelas diferentes culturas.
            Nessa perspectiva é preciso ouvir, perceber as necessidades salientadas. Assim, essa turma em especial, que demonstrava a relação permeada pela agressividade e a dificuldade de conviver em grupo, instalou-se o desafio da realização das ações e propostas. Na prática, sem uma boa convivência, todas as ações sofriam rupturas ou nem se iniciavam pela falta de consenso e disponibilidade para a experimentação.
            Os conflitos que apareciam não eram somente casos isolados, o grupo todo era atingido. Não permitiam esquecê-los e passar adiante, eles resultavam no não fazer, não realizar, não deixar acontecer.
            Um dos temas colocados em uma das reuniões regionais foi o acontecimento X planejamento. Se foi apresentado como um “versus” o outro, isso revelou diferentes opiniões quanto aos procedimentos metodológicos dentro do Programa. O acontecimento foi colocado e defendido por alguns artistas educadores como deixar vir do encontro, sem pré-estabelecer propostas planejadas anteriormente e o planejamento por outro lado foi colocado como algo necessário, mas com flexibilidade para dialogar com o que acontece no encontro.
Na prática e considerando o objetivo de aprendizagem no fazer artístico, o planejamento traz um momento de organizar os quereres, de trocar saberes com as crianças, bem como possibilita a reflexão e o senso crítico sobre a prática e no que ela dialoga com o conhecimento tanto dos artistas educadores como das crianças.
A questão é qual a visão sobre o planejamento, já que a palavra é carregada de uma experiência escolar de algo estático e de roteiro a ser seguido, muito diferente da perspectiva do Programa. Tanto o planejamento, quanto o acontecimento colaboraram, pois se complementam na prática artístico-pedagógica.
Com relação a turma mencionada e os desafios dessa convivência, não deixamos de instiga-los por conta de suas decisões negativas quanto a experimentar. Insistimos e, nesse sentido, respeitar o “não” e o que eles impunham era deixar com que todos os dias saíssem machucados e ser conivente com a violência em seus vários aspectos e não somente física. Como exemplo, o racismo explícito por xingamentos, o furto de objetos, dentre outras.
Conquistamos a conversa que não existia, antes as crianças diziam somente no grito e como artista educadora fui solicitada a gritar, por uma criança; ela disse “você tem que gritar com a gente”.
O tempo do encontro, como um dos princípios, não é somente o tempo respeitado de cada um em realizar algo. A aprendizagem dessa prática demonstrou que o tempo do encontro é também o de terem contato com outras referências e que com o passar dos dias, vão compreendendo por exemplo que não era preciso gritar.
Outra aprendizagem que construímos com as crianças foi que liberdade não significa poder agredir o outro e destruir se quiser o que o outro fez. A liberdade só é possível coletivamente, pois se eu cerceio o outro eu acabo de instituir que também poderei ser cerceado.
Com essa convivência, a imagem pré-concebida da criança que brinca, imagina, espontânea, dentre outras; se modificou. Infelizmente existem crianças que por serem violadas do seu direito de serem crianças, desaprenderam a brincar, não permitem o espontâneo acontecer e se defendem. Algumas já carregam uma maneira de se comportar, por entender que qualquer relação com um adulto é vertical, que a atenção que podem ganhar vem de algo que desagrade esse adulto.
Foram muitos desafios colocados, e nesse processo artístico, o que ressaltou foi a relação conquistada de diminuírem a agressão física e conseguirem se reunir e dialogar.
A sensação de persistência, sim, não desistimos! E para não desistir foi preciso equilibrar e não preconceber nenhuma das formas e “receitas” do como fazer. Sim! foi preciso as vezes construir limites para irem mais além, como também foi preciso acabar com regras para sentirem a possibilidade de ser livremente.
Não! Foi preciso romper os “nãos” que traziam antes de qualquer experimentação, foi preciso construir os “sins” insistidos e se não fossem estimulados não teria havido outras sensações antes não vivenciadas.
O reflexo dessa relação ficou explícita quando em um único dia que não haveria o encontro porque a caixa d’água do CEU teria que ser consertada e todos lamentaram, queriam se encontrar, nem que fosse em outro lugar, o encontro teria que acontecer.
E ao mesmo tempo em que essa turma teve dificuldades de relacionamento, foi um grupo que se manteve durante o ano, dificilmente faltavam, queriam se relacionar, queriam aprender e estarem juntos.

Entre brigas e descompassos
Insistimos no passo
E no meio de tantos rompimentos
O processo criativo
Poético na superação do que se conturbava
O diálogo no lugar do grito
O coletivo no lugar do individualismo
E para tudo que não acontecia, aconteceu!
Intervenção com sombras na Bienal de Artes
Figurino, cenário para festa do terror
Corredor do medo inventado
Encenação da vontade de encenar
Obra com folhas e artes recolhidas do espaço
Brincadeira de circo
Semana de PIÀ de integração entre as diversas idades
Máscaras e histórias
A cor e movimento do som
O encontro com as famílias
As cadeiras jogadas
O espaço do brincar
O espaço de ser livre
O espaço de conhecer o outro
Os vários espaços conquistados
A saudade e nas crianças a vontade de ter tudo de novo.




Referências:
MACHADO, Marina Marcondes. Fazer surgir antiestruturas: abordagem em espiral para pensar um currículo em arte. Revista e-curriculum, São Paulo, v.8 n.1 abril de 2012. Link: http://revistas.pucsp.br/index.php/curriculum

MACHADO, Marina Marcondes. A Criança é Performer. Educação & Realidade. 35(2) p. 115-137. Maio/agosto de 2010.

OSTROWER, Fayga. Criatividade e processos de criação. 23ª Ed. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2008.

Links:






           

            

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Sem Fronteiras

Sem Fronteiras

Fábio Amadeu Pupo

Se quisermos nos tocar significativamente e completamente nossa aceitação mútua da singularidade de cada um, devemos abandonar as barreiras defensivas que limitam e frustram nosso anseio inato de perceber o todo mesmo quando algumas partes perecem estar faltando.
As partes que faltam muitas vezes, se escondem atrás de muros de medo (...) (Janie Rhyne, 2000, p.176 – 177)[1]

Cristo apregoa que, para amar o semelhante, é necessário amar-se. E como fazê-lo?
Antes de responder a essa pergunta, faz-se necessário ponderarmos sobre a utilização da palavra amor, que obviamente neste pronunciamento, não carrega em si o significado do amor romântico. Dada a variedade, pois, que implica essa palavra, atenhamo-nos ao único significado que nos interessa no momento: amor como conhecimento.
O termo “conhecimento” utilizado, porém, não deverá entrar em discussão em suas minúcias semânticas ou de seu uso estritamente filosófico.
Portanto teremos, a partir de agora, o início de nossas questões baseadas no “conhecimento” como saber a respeito ou ter consciência de, e “amor” como respeito a alguém ou a si mesmo.
Respondendo à pergunta inicial de uma forma sintética, podemos seguir um raciocínio simples, pois esta questão, de certa forma, já nos foi revelada quando discorremos sobre a significação das palavras que depois dela, enfatizamos: amor e conhecimento. Ora, já que conhecimento para nós é ter consciência de outrem e amor é dar importância a esse, a pergunta soluciona-se pelo entendimento de que devemos ter consciência do outro, já que semelhantes que somos, dando-lhe a importância de que merece e, tendo a plena consciência de si mesmo.
Para tanto, devemos entender-nos como humanos em nossa individualidade, porém inseridos numa coletividade.
Não somos o simples ajuntamento de coisas fragmentadas, mesmo porque seguindo o rigor da dialética, fragmento para nós, seria algo impossível de se pensar, já que “O fragmento pressupõe, mais do que o sujeito do romper-se, o seu objecto[2]. (...) o fragmento, embora fazendo parte de um inteiro anterior, não contempla, para ser definido, a sua presença. (Omar Calabrese, 1987, p. 8)[3]
Somos, pois, uma unidade, uma identidade única em cada qual, que sente, pensa, constrói, se relaciona com o meio e com os outros, que ama. Fazemos parte de uma complexa rede, a qual damos o nome de mundo, que é um grande emaranhado de conjunturas, estruturas e interligações.
As relações estabelecidas nesse território “mundo” compõem nossa vida em sociedade. Dizem Peter Berger e Thomas Luckmann[4] que:
A realidade da vida cotidiana além (...) apresenta-se a mim como um mundo intersubjetivo, um mundo de que participo juntamente com outros homens. Esta intersubjetividade diferencia nitidamente a vida cotidiana de outras realidades das quais tenho consciência. Estou sozinho no mundo dos meus sonhos, mas sei que o mundo da vida cotidiana é tão real para os outros quanto para mim mesmo. De fato, não posso existir na vida cotidiana sem estar continuamente em interação e comunicação com os outros. (2000, p. 40)
As relações estabelecidas no mundo humano deveriam seguir o propósito único de bem–estar a todos, sem exceções. À essa regra ideal existe, infelizmente, a discrepância. Na corrente da história, a tecnologia da mecânica supriu os limites dos músculos; o raciocínio lógico ganhou a velocidade dos bytes; os velhos rituais da colheita sucumbiram diante do frenesi das engrenagens e, como não deveria ser, o humano substituiu o humano. Na desenfreada corrida pelo progresso, as vidas são medidas pelas escalas do poder econômico. O tempo atual pode ser ilustrado por Zygmunt Bauman (2004, p. 41 e 42)[5], quando este diz que:
A modernidade é uma condição da produção compulsiva e viciosa de projetos.
Onde há projetos há refugo. Nenhuma casa está realmente concluída antes que os dejetos tenham sido varridos do local da construção.
Quando se trata de projetar as formas do convívio humano, o refugo são os seres humanos. Alguns não se ajustam à forma projetada nem podem ser ajustadas a ela (...)
Mesmo diante desse quadro pessimista, são inegáveis os avanços sociais até agora alcançados ou mesmo o quanto o conforto material faz-se um aliado, mas qual a medida exata para a aferição no equilíbrio na balança?
A chave dessa resposta pode estar no conhecer o outro e, por suas vez, se reconhecer nele. Mas, antes a tudo isso: auto conhecer-se; amar-se e se respeitar. O quão importante carrega essas palavras; conhecer-se, é ter em mãos a sua própria significação, ter a consciência de qual o seu papel neste mundo.
Como já discorremos, o homem não é uma estrutura feita de retalhos ou fragmentos ajuntados à sorte do destino ou do acaso. Constitui-se, pois, de elementos ou dimensões importantes das quais podemos destacar a seguir.
Comecemos a nossa investigação pela dimensão biológica do homem.
Tal dimensão citada acima faz relação direta com o corpo humano. É com ele e através dele, que transitamos, sentimos e nos comunicamos no e com o mundo. Somos cada célula, que nos compõe, que juntas, formam os tecidos, que por sua vez, formam os nossos órgãos. Nossos corpos enxergam, tateiam, pulam e sorriam. Nunca haverá a possibilidade de um corpo ser idêntico ao outro, pois a Natureza nos faz únicos em sua criação.
Na seara da Natureza, há corpos com as mais variadas compleições e em inúmeras raças, num cabedal de belezas infinitas.
Curiosamente o humano desde datas longínquas, criou padrões de classificação estética para o corpo. É fácil notar isso quando olhamos para trás, por exemplo, em estudo das artes, principalmente nas artes ditas visuais, como a escultura e a pintura:
Desde a antiguidade até o inicio do século XX, a representação da figura humana foi a preocupação maior da arte ocidental (...) Mas osartistas, e depois deles os críticos, hesitaram entre dois partidos dificilmente conciliáveis: a busca da beleza ideal, isto é, da forma de um corpo humano perfeito, concebido abstratamente ou, segunda a lenda, construído por superposição dos mais belos traços de vários indivíduos; e a de uma verdade da representação, que de a ilusão da presença de um personagem real. (Jacqueline Liechtenstein, Org., 2004, p. 9)[6]
Atualmente a mídia é quem “regula” esse universo. A beleza é ditada segundo parâmetros de consumo econômico fazendo com que a grande parcela excluída de seus ditames, lute para alcançar seus padrões, gerando o consumo e, por vezes, a insatisfação pessoal, a qual gerará mais e mais consumo, numa infindável roda viciosa.
A outra dimensão que podemos salientar é a dimensão psíquica; aquela que envereda por entre nosso ser.
Somos também, além de um corpo físico, pensamento, sensações, raciocínio e decisões. O consciente e o inconsciente.
Podemos dizer que o homem compreende a realidade a sua volta a partir da simbolização interna feita através de seus pensamentos. O que nos difere dos animais é justamente a utilização desses símbolos, pois o ser humano tem a capacidade de criação desses, e em contrapartida, o animal se limita apenas à interpretação deles.
Liomar Quinto de Andrade (2000, p. 28)[7] nos diz:
O ato essencial do pensamento passa a ser a simbolização. A vida mental é reconhecida como um processo simbólico. O simbolismo, chave para se entender o humano enquanto tal, passa a ser a característica humana posta no grau mais elevado. Símbolo e significado constituem o mundo do homem muito mais do que a sensação, porque o homem compreende a realidade a partir dessa simbolização interna.
Portanto, é de suma importância sermos entendidos em nossa individualidade, para além do racionalismo ainda hoje operante, como que ao nível de máquinas.
Nise da Silveira, psiquiatra discípula de Jung, que lutou fervorosamente em vida contra os tratamentos vigentes à sua época, disse:
É impressionante a persistência da influência de Descartes, dominante desde o século XVII, no que se refere ao conceito das relações corpo-psique sobre a medicina científica.
O corpo seria uma complexa máquina e, conseqüentemente, as doenças resultariam de perturbações no funcionamento dos mecanismos que compõe essa grande máquina. A função do médico seria, portanto, atuar por meios físicos ou químicos para consertar enguiços mecânicos. (2006, p. 11)[8]
A outra dimensão que podemos destacar é a social. Como já dissemos anteriormente, o humano estabelece relações várias no campo mundo e a isso damos o nome de sociedade. É nato ao homem a vida em agrupamentos. A vida em sociedade delineia-se exclusivamente das ações destes seres que se inter-relacionam através da comunicação objetiva e/ou subjetiva. Complementa esse pensamento, quando Peter Berger e Thomas Luckmann falam que:
O mundo da vida cotidiana não somente é tomado como uma realidade certa pelos membros ordinários da sociedade na conduta subjetivamente dotada de sentido que imprimem a suas vidas, mas é um mundo que se origina no pensamento e na ação dos homens comuns, sendo afirmado com real para eles. (2000, p. 36)
A quarta e última dimensão que destacaremos, é a dimensão espiritual.
No alvorecer da humanidade, o homem lançou seus olhos para cima na busca por respostas daquilo que não compreendia. Inicialmente creditava os poderes da Natureza a vários deuses que por sua vez a controlava sob seus imperiosos ciclos. Deste modo, procurou dar um sentido a tudo isso, elaborando símbolos e rituais que sustentassem essas atitudes.
As imagens dos deuses, as representações de objetos considerados sagrados só podem ser compreendidas caso se restitua a atitude específica da consciência simbólica, que visa precisamente, através de uma forma visível, a uma surrealidade invisível. Suscita-se assim um tipo de representações que ultrapassa a manifestação das coisas naturais e diz respeito ao desvelamento, no psiquismo ou na alma, de realidades perceptivas que não podem ser reduzidas a ficções ou alucinações. (Jean-Jacques Wunenburger, 2007, p. 24)[9]
Com o tempo, a busca incessante por respostas continuou. O raciocínio acerca das coisas da vida se elevou, da mesma forma que o entendimento do sobrenatural também. O homem adquiriu cada vez mais a capacidade de intuir para além do mundo físico em que habita. Ao mesmo tempo em que evoluiu mentalmente, procurou por um sentido maior da vida. “O que faço aqui?”; “Quem sou?”; “Quem me criou?”; “Existem forças maiores e acima de mim?”
Depois de longos questionamentos, finalmente, aprendeu que além de seu corpo de carne, existe outro, de matéria mais sutil e que este tem a capacidade da transcendência. Aprendeu também que tem que alimentá-lo (não só ao corpo físico). Aprendeu que é um ser espiritual, que deve se conhecer e aos outros: amar-se e amar, independente dos interesses terrenos.
Estes preâmbulos dão conta da importância de termos em nossos relacionamentos diários os olhos voltados para o outro em todas as suas instâncias e constituintes. Dentro deste leque, nos deteremos de agora por diante, no âmbito profissional.
Este texto, portanto, tem a preocupação em relacionar o que foi dito até então com a minha experiência como coordenador regional no Programa de Iniciação Artística no ano de 2014.
Antes de tudo, acredito no refinamento das boas relações sejam elas de companheirismo, generosidade, credibilidade e, sobretudo, respeito uma vez que o programa relaciona a arte à criança. Creio também, que o profissional que atua neste programa, deva ter estes elementos como premissas em seu fazer diário.
Desta feita, inicio a descrição do que me proponho, dando ênfase ao trabalho de coesão que foi feito e pensado para as coordenadoras (ao todo eram cinco coordenadoras, todas atuantes na região Norte da cidade) por mim orientadas neste ano. A minha atuação teve a preocupação em instaurar e propiciar uma rede de boas relações entre esses coordenadores bem como, fortalecer o trabalho de cada qual por meio de trocas, onde cada uma poderia contar com o apoio alheio.
A descrição será dividida em três partes, sendo que cada qual sob um título, de forma a ilustrar o processo. Porém, deve-se tomar o cuidado em não julgá-la como o processo em si, mas, antes de tudo, ferramentas utilizadas que foram e que simbolizam e desenham todo um caminho de construção. Inicia-se, pois, com o título “Identidade”; em seguida, “Quem sou como coordenador” e finalizando com “Quem fui: trocas”.
A primeira das atividades, sob o título “Identidade”, foi uma iniciativa para que todos se conhecessem e, com isso, fosse promovida uma integração, de forma lúdica, mas, que de certa maneira, conseguisse o aprofundamento do olhar de uma sobre o outra. 
Foram dispostos sobre uma mesa, em uma sala fechada, vários objetos. As participantes eram convidadas a adentrar a sala, uma por vez.  Dentro deste recinto, eram orientadas a escolher dentre todos os objetos, cinco com os quais elas mais se identificavam. Para cada participante, identificado como “A”, “B”, “C”, “D” e “E”, anotava-se suas escolhas em uma tabela:

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A

B

C

D

E

Golfinho






Pés






Garfo






Secador






Palmeira






Torta/bolo






Esquadro






Dragão






Banheira






Sapato dourado






Tênis






Cadeira






Carruagem Abóbora





                                                                                                                      Tabela
Quando as cinco participantes terminaram esta etapa, foram convidadas a voltar à sala, e nela, preencher alguns questionários:

A
1-       Quem é ela? Descreva-a.

2-       Qual (ais) o (s) sonho (s) dela?

3-       Com que ela brinca?


 
                                                                                                                 Prancha                                                         
Estes questionários (prancha) identificados com as mesmas letras da Tabela (“A”, B” ... e sucessivamente), eram preenchidos respondendo à questões de acordo com a exposição dos objetos escolhidos por cada participante, como exemplo: primeiro foi disposto à todas, os cinco objetos escolhidos pela participante “A”, sendo assim, todas, inclusive a participante “A”, respondia às perguntas da prancha relativa à participante “A” e assim por diante até que todas as pranchas fossem respondidas. Feito isto, ao final, cada participante recebia de acordo com a sua letra de identificação, as pranchas e as lia em voz alta o que lhe foi escrito.
Esta atividade de cunho simbólico permite, através de imagens/objetos, a manipulação de idéias intuitivas, de maneira a fazer com que as relações se estreitem e se afinem.
O recurso à ficção pode ajudar o sujeito integrar o campo simbólico (...) criando assim uma linguagem simbólica através da qual podem exprimir-se estados ‘informulados’ ou ‘informuláveis’ (...).  (Aude Kater[10], 2006 apud Attigui, 1998, p. 18-19)

Desta forma, ao tentar “interpretar” o outro pelo artifício simbólico, a participante, usando de sua cognição e intuição estabelecia pré-relações desde então com o “interpretado”. Ao final da vivência experimental, todos se conheciam melhor ou, de outra maneira, se reconheciam em si, e entre si.
“Quem sou como coordenador” foi uma ação com o intuito de fazer com que cada qual, cada participante, se auto-analisasse até então naquele momento na função de coordenadora e, por meio de trocas entre todas, que se balizasse e se fortalecesse por meio desta.
O meio utilizado foi o recurso da máscara e com isso foi estabelecida uma metáfora, com a qual a participante interagiria através de tintas por sobre as suas superfícies, interna e externa; deste modo representaria seu “estado” enquanto na função de coordenadora.  Ou seja, a participante simularia na parte interna como se sentia até aquele momento como coordenadora e na parte externa, como imaginava ou percebia como lhe viam nesta mesma função, daqueles do seu entorno de trabalho. Um dado a acrescentar, é que todas as cinco coordenadoras iniciaram-se nesta função neste ano.
 Para Païn e Jarreau[11], “(...) a máscara não oculta nada, salvo que é muito conhecido”.
Após a pintura “reflexiva”, foi iniciada uma rodada de impressões sobre a experiência. Abaixo, fragmentos da fala de uma das participantes:
Participante W descrevendo o interior da máscara: - Angústias internas. Perfeccionismo comigo. Abraçar o mundo. Me cobro.
Participante W descrevendo o exterior da máscara: Escuta. Tranqüilidade. Sinto-me acolhida.
Outra participante quando relata a parte interna de sua máscara:
Participante X: - Feliz. Sorte. Espiritualidade.
E quando descreve a parte exterior da máscara:
Participante X: - Elas (as AE´s com quem trabalha) me vêem como companheira. Vêem-me como séria, confiável. Compartilhar.
Podem-se perceber nestes relatos, similitudes ou não. Há elementos que se polarizam como tranqüilidade e angústia; se cobrar com ser feliz, mas, sobretudo, há a verdade de cada qual exposta de maneira ética e respeitosa. Atentando-se ao fato de que cada uma age ou vive perante a sua realidade pessoal.
Com isso, procurou-se nesta atividade, a troca de vivências, afim de que todas se fortalecessem através da exposição daquilo que, mesmo que lhe angustiassem ou lhe fossem negativo, mas que, ao falarem lhes aliviariam em certo nível.
“Quem fui: trocas”, foi a última vivência deste ano com as coordenadoras. Realizada também por meio de materiais plásticos, como a argila.

Segundo Chiesa[12], “O contato com o barro (argila) desperta a sensibilidade, alivia as tensões e satisfaz os mais profundos e primitivos instintos humanos da natureza criativa. (...) É um material que nos coloca em contato com a natureza” (...) (p. 50-51).
A atividade, já ao final do percurso do ano de trabalho, consistiu em uma reflexão de, passadas os primeiros momentos enquanto coordenadoras e depois dos meses que se seguiram nas atividades diárias, como elas se encontravam naquele momento de consolidação de seus trabalhos.
Para tanto, conforme dito anteriormente foi utilizado o material argila. Novamente, de forma metafórica, foi pedido que modelassem a argila sob a argumentação do quanto tiveram que se modelar ou foram modeladas enquanto coordenadoras em seus percursos durante o ano. Neste ínterim, foi dada a opção de que não havia a preocupação de um “produto final” advindo da argila.
Pode-se perceber este percurso nas falas das participantes após a atividade de modelagem, quando todas trocaram entre si as impressões do experimento, como exemplo:
Participante Y: - Lugar novo, equipe nova; sempre me senti pertencente. (...) Fui buscando por uma relação que não era natural de início, mas que agora se tornou.
Participante Z: - Todo mundo novo nos uniu. Às vezes tem alguém que tem mais dificuldade com algumas coisas. Respeitar o tempo do outro e de você também.
O trabalho com a modelagem, portanto, mobilizou sensações, sentimentos e imagens, fazendo com que houvesse a possibilidade de ressignificação de suas próprias histórias.
Na esteira desta experiência, aconteceu outra com materiais diversos: papel canson; papel sulfite; lápis de cor; giz pastel e movimentou entre todas, trocas de afeto materializado.
Foi pedido a elas que, com estes materiais, elaborassem oferendas ou presentes que simbolizassem seus sentimentos a alguém (entre nós ou outros), a algum ou a alguns etc. Sendo assim, ao final da elaboração dos objetos (cartões; catavento; esculturas, etc) houve o momento do presentear/oferendar ao outro dentro de um clima de comunhão de afetos.
Esta atividade final completa e salienta a ideia do quanto é necessário estarmos atentos em nossos fazeres diários ao outro. Do quão necessário estarmos em harmonia e coesão conosco e com nossos parceiros, estando sempre dispostos a oferendar a nossa generosidade, o nosso amor.

Bibliografia:
ANDRADE, L. Q. Terapias Expressivas. São Paulo: Vetor, 2000.

BAUMAN, Zygmunt. Vidas desperdiçadas. Rio de Janeiro: J.Z.E., 2005.

BERGER, P. L.; LUCKMANN, Thomas. A Construção Social da Realidade. Petrópolis: Editora Vozes, 2000.

CALABRESE, Omar. A Idade Neobarroca. Lisboa: Edições 70 Ltda, 1987.

CHIESA, R. F. O diálogo com o barro: o encontro criativo. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000.

LICHTENSTEIN, J. (Org.). A pintura – Textos essenciais, Vol. 6: A figura humana. São Paulo: Editora34 Ltda, 2004.

PAÏN, Sara; JARREAU, Gladys. Teoria e Técnica da Arte-terapia. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.

RHYNE, Janie. Arte e Gestalt: Padrões que convergem. São Paulo: Summus, 2000.

SILVEIRA, Nise. O mundo das imagens. São Paulo: Editora Ática, 2006.

WUNENBURGER, J-J. O imaginário. São Paulo: Editora Loyola, 2007.

Periódicos:
Arteterapia: Reflexões. Departamento de Arteterapia do Instituto Sapientiae, ano VIII – nº 07. JK Gráfica e Editora, 2006.




[1] RHYNE, Janie. Arte e Gestalt: Padrões que convergem. São Paulo: Summus, 2000.
[2] A palavra está escrita no Português de Portugal.
[3] CALABRESE, OMAR. A Idade Neobarroca. Lisboa: Edições 70 Ltda, 1987.
[4] BERGER, P. L.; LUCKMANN, THOMAS. A Construção Social da Realidade. Petrópolis: Editora Vozes, 2000.
[5] BAUMAN, Zygmunt. Vidas desperdiçadas. Rio de Janeiro: J.Z.E., 2005.
[6] LICHTENSTEIN, J. A pintura Textos essenciais, Vol. 6: A figura humana. São Paulo: Editora34 Ltda, 2004.

[7] ANDRADE, L. Q. Terapias Expressivas. São Paulo: Vetor, 2000.
[8] SILVEIRA, Nise. O mundo das imagens. São Paulo: Editora Ática, 2006.
[9] WUNENBURGER, J-J. O imaginário. São Paulo: Editora Loyola, 2007.
[10] Arteterapia: Reflexões. Instituto Sedes Sapientiae, 2006.
[11] PAÏN, Sara; JARREAU, Gladys. Teoria e Técnica da Arte-terapia. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.


[12] CHIESA, R. F. O diálogo com o barro: o encontro criativo. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000.